O presidente do muro ou vice-versa - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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O presidente do muro ou vice-versa

O homem com maior poder no mundo tem uma ideia fixa: construir um muro. Se conseguir seu intento, passará para a história dos Estados Unidos como o presidente do muro. Ele quer porque quer soerguer uma barreira de ferro e cimento entre o México – diga-se a América Central – e o seu país. Aliás, essa figura quixotesca parece até que se compraz ao falar desse projeto, como se segregar fosse uma virtude. Além disso, ele nutre desamor ao meio ambiente, ou seja, não dá bolas para a defesa da mãe terra, para as agressões à fauna e à flora, para os compromissos das muitas outras nações que cuidam do futuro do planeta e das novas gerações. Sua teimosia em construir a gigantesca parede levou os Estados Unidos a um enorme “shutdown”, com paralisação de mais de 800 mil servidores públicos – grande parte com salários suspensos. Sobre esse ponto, cabe mais aos próprios norte-americanos apreciar. No que concerne, porém, aos métodos grotescos de tratar a questão do muro, sinto-me à vontade para expressar minha frustração com essa birra do Presidente Donald Trump, motivo de críticas até de seus confrades de partido.

Há poucos dias, tive a oportunidade de conversar com um casal americano, que estava em rápidas férias aqui em Natal, hóspede de uma filha minha. Conversamos sobre o dito cujo projeto presidencial, chocante para eles. Como é natural, suas palavras voltaram-se com ênfase aos problemas internos, causados pela grande parcela do serviço público parado. E disseram que existem muitas outras metas a merecer mais atenção do Presidente. Deixaram nítida sua simpatia pelas propostas democráticas.

O ex-presidente Barack Obama enfrentou problema similar, quando o Congresso, de maioria republicana, à época, negou recursos para o seu projeto de oferecer assistência médica a milhões de cidadãos do seu país que não dispunham de qualquer suporte de amparo à saúde. Houve “shutdown” e protestos da oposição. Contudo, a grande diferença está no mérito dos dois projetos. O do presidente Obama, que recebeu a alcunha de Obamacare, inspirou-se em princípios humanitários, no sentimento de compaixão e de amor ao próximo. O projeto do muro, do presidente Donald Trump, baseia-se em princípios opostos, nos quais repousam o egoísmo, a ambição e o desdém. Há os que pensam que Trump entrou num beco sem saída. Seu plano era auferir vantagens políticas, pelo possível apoio popular. No entanto, as coisas tomaram outro caminho. O Professor Richard Bensel, da Universidade Cornell, assim afirmou:  “Trump se trancou numa posição da qual não pode retroceder. Eu acho que ele não queria estar nesse lugar”.

Seja lá o que for, causa espanto esse impasse, essa queda de braço entre o presidente Trump e as forças democráticas dos Estados Unidos. Vários outros países, em quase todo o mundo, foram muito mais sapientes na condução das questões da imigração, um fenômeno global nos dias atuais. Afinal, o sonho dos milhares de migrantes, em sua quase totalidade, é dispor de um lugar decente para viver, trabalhar e criar a família. Os 5,7 bilhões de dólares, ou somente parte desse valor, em vez de servirem para erguer muros, bem que poderiam ser usados em soluções que respeitem e promovam a dignidade humana.


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