Cartas da Humanidade - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Cartas da Humanidade

Registro histórico do tempo, as cartas antigas são sempre uma boa leitura, muitas delas, hoje, transcritas em livros. A prática epistolar, mormente as missivas escritas à mão, é algo do  passado, pois os meios eletrônicos atuais deletaram – uso esse termo de propósito –, para o futuro,  essa memória da vida humana. Através desses textos, muitas pessoas deixaram expressos seus sentimentos, suas crenças, seus valores, seus amores, suas mágoas, enfim, abriram as janelas da alma, de forma mais sincera ou menos sincera, porquanto o ser humano é mesmo uma caixa de surpresas e de segredos.
De um casal amigo, recebi de presente o livro “Cartas da Humanidade – Cinco mil anos de história em 141 cartas imemoriais”, 466 páginas, editora Geração (2014). O autor, Márcio Borges, compositor e escritor, fez a compilação e tradução dos textos, que trazem nomes famosos, desde Zaratustra, 6000 a.C., até Barack Obama. A política e o poder dominam boa parte da obra, com cartas de reis, rainhas, presidentes, políticos, imperadores do passado e dignatários de épocas recentes, quase todos envolvidos em intrigas, invejas e tramas que costumam permear as cúpulas das gestões públicas. Nesse âmbito, parece que nada mudou, quando se olha o que ocorre nos dias atuais. No tocante à política no Brasil, encontra-se no livro a carta testamento de Getúlio Vargas – 1954 –, e a carta renúncia de Jânio Quadros – 1961 –, além do primeiro texto sobre o Brasil – Terra de Vera Cruz – escrito por Pero Vaz de Caminha, datado de 1o de maio de 1500. 
A história mostra que os Estados Unidos têm certa atração por guerras, algumas por motivos plausíveis, outras nem tanto. Entre as guerras que o país enfrentou sem justificativas evidentes, sobressai-se o ataque ao Vietnã. Diz-se que os Estados Unidos, rico e poderoso, sofreram o maior revés nessa guerra, ao enfrentar uma nação pobre e sofrida, mas com um povo bravo e heroico. Duas missivas, constantes no livro Cartas da Humanidade, exprimem muito bem o caminhar desse conflito armado: a primeira, do presidente americano ao presidente do Vietnã, e a segunda, a resposta, na direção inversa.
Em 1967, o presidente Lyndon Johnson escreveu uma carta ao presidente Ho Chi Minh, da qual seguem alguns trechos: “Escrevo-lhe na esperança de que o conflito no Vietnã possa ser trazido a um fim. Aquele conflito já cobrou um pesado tributo – em vidas perdidas, em ferimentos infligidos, em propriedades destruídas e em simples miséria humana”. Resposta rápida do presidente Ho Chi Minh: “(...) O Governo dos Estados Unidos cometeu crimes de guerra, crimes contra a paz e contra a humanidade. Em sua mensagem, o senhor parece lamentar o sofrimento e a destruição do Vietnã. Mas permita-me perguntar-lhe: quem perpetrou esses crimes monstruosos? 
Foram os soldados americanos e os soldados dos países satélites. (...) Se o governo dos Estados Unidos realmente quer conversar, tem que primeiro cessar incondicionalmente os bombardeios e todos os outros atos de guerra contra o Vietnã”. Essas duas cartas são um registro de uma terrível guerra, com seu cortejo de sentimentos de perda, de culpa, de revolta e de remorsos, porém, a humanidade parece nunca aprender a lição.

Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

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