História da Cirurgia - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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História da Cirurgia
08.08.2011

Desde os primeiros arroubos sobre a escolha de uma futura profissão, a medicina estava sozinha na minha mente. Nunca pensei em outra área para me dedicar, no tocante aos estudos acadêmicos. Da mesma forma, após ingressar no curso médico, nunca passou pela minha cabeça seguir pelos caminhos da cirurgia, pois a clínica médica sempre me fascinou. No entanto, na condição de aluno e, depois, recém-formado e com trabalho no hospital do Crutac – UFRN –, em Santa Cruz, tive de usar o bisturi nos campos operatórios, mas somente no estrito dever da tarefa a cumprir. Na prática profissional, dediquei-me por completo e por quase três décadas à clínica médica, além de me render à vocação de generalista, como em tudo que faço na vida. Agora, já distante das atividades da profissão para a qual me graduei, guardo comigo aquele mesmo afeto pela medicina, sempre atento às notícias que importam, e vidrado na sua história, cheia de lances tão dramáticos quanto comoventes, haja vista a leitura do livro “Sangue e Entranhas – A Assustadora História da Cirurgia”. Escrita pelo jornalista e médico inglês Richard Hollingham, de lançamento recente, a obra relembra as principais fases evolutivas dessa área da medicina; conta fatos chocantes e heroicos vividos nas salas de cirurgia do passado, antes da anestesia e da descoberta dos micróbios. Ressalta a ação de pioneiros que tiveram a coragem de desbravar os meandros da arte de cortar para tentar curar, e dos pacientes (vítimas?) submetidos às dantescas operações. O francês Ambroise Paré (1510 –1590) foi um dos principais responsáveis pela mudança do nome “cirurgião – barbeiro”, assim chamado quem usava o bisturi, para o status de médico. Paré, levado aos campos de batalha, chegou a usar o ferro em brasa ou óleo fervente para cauterizar os tecidos a fim de parar o sangramento. E diz o autor: “Quando as balas falhavam em matar os soldados, o choque do líquido fervendo derramado no ferimento, frequentemente, terminava o trabalho”. Foi esse cirurgião francês quem primeiro usou o pinçamento e a ligadura dos vasos sanguantes, além de escrever obras definitivas para o prestígio da medicina. Na segunda metade do século XIX, ocorreram grandes avanços da cirurgia, graças à prática da anestesia e ao início do controle das infecções. Antes de Louis Pasteur (1822 – 1895) afirmar, em 1857, que os micróbios levavam à destruição dos tecidos, era comum os cirurgiões chegarem para operar com seus jalecos sujos de crostas de sangue e de pus, porquanto isso os fazia mais respeitados. A passagem para o hábito da assepsia nos procedimentos cirúrgicos teve um herói de maior dimensão: Joseph Lister (1827 – 1912). Hoje, poucos conhecem o seu enorme contributo aos novos saberes da clínica cirúrgica. Richard Hollingham conta em detalhes a evolução da cirurgia, com ênfase para os últimos cinco séculos. Ilustra seu texto com casos reais de pacientes que, de certa forma, foram “cobaias” em técnicas pioneiras, como o caso do neozolandês Clint Hallan, operado em 1998, no primeiro transplante de mão do mundo. O ato cirúrgico foi perfeito, a rejeição orgânica esteve sob controle, porém o pior foram os problemas psicológicos de Hallan, pelo fato de ter presa ao seu braço “a mão de um homem morto”. O autor fala das questões éticas dos transplantes do rosto: “Nossos rostos nos definem – como um novo poderia transformar-nos?” Na página 260 desse ótimo livro, com primeira edição em março de 2011, Hollingham afirma que, possivelmente, quando o livro for publicado, alguém no mundo já tenha recebido o primeiro transplante total de rosto. Sua previsão se confirmou: nesta mesma data, o norte-americano Dallas Wiens submeteu-se com êxito a esse tipo de cirurgia. A leitura desse livro serve também para lembrar o valioso papel de médicos e de pacientes do passado para o sucesso da medicina atual.

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