Bendito seja o médico - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Bendito seja o médico
20.10.2011

No dia 2 deste mês de outubro, um domingo, véspera de um feriado religioso local, acompanhei um netinho de 8 anos quando ele foi levado à urgência pediátrica do hospital Promater. A sala de espera estava cheia de crianças doentes, uns dormindo nos braços das mães, alguns com tosse ou cansaço, outros chorando, todos no aguardo para serem chamados à presença do médico. Após rápida e cordial acolhida, ficamos esperando a vez para o atendimento. Naquele instante, recordei meu tempo de médico e dos muitos plantões vividos, a exemplo dos pediatras e dos outros especialistas que ali estavam em pleno feriadão. Sem grandes delongas, o garoto foi examinado pelo jovem médico, o qual mostrava no semblante certos sinais de exaustão física, mas manteve o sorriso, além de traçar correta e eficaz diretriz médica para o caso. Tivemos uma conversa de poucos minutos, quando lhe disse ser seu colega, embora há muito sem exercer a profissão, e, ao mesmo tempo, soube que uma médica – sua mulher– estava prestes a chegar para substituí-lo no plantão, pois se alternariam também nos cuidados em casa com um filhinho do casal. Os médicos da Promater trabalham em um bom hospital e exercem a profissão de forma decente. Contudo, grande parte dos médicos do Brasil trabalha em locais com enormes deficiências, sejam em hospitais, em postos de saúde, em ambulatórios ou em emergências. De um modo geral, são mal remunerados e, por isso, têm de correr de um plantão para outro, a fim de poderem somar uma quantia para garantir a sobrevivência. Também de um modo geral, são honestos, dignos e competentes, conquanto existam poucos que não merecem os diplomas que as faculdades lhes deram. Esses raros médicos inaptos e/ou desonestos podem atuar em qualquer camada social. Ao se falar desses tipos nocivos, vem à mente a morte de Michael Jackson, cujo profissional responsável de cuidar da saúde do artista foi mais um algoz do que um médico. Hoje, a saúde no Brasil está dividida entre o SUS, sistema do Governo que atende 75% da população, e os planos privados, os quais atendem 25%. Para ambos, falta dinheiro, o que tornam os serviços precários, com raras exceções. As queixas e greves são constantes, pela insatisfação generalizada. No meio desse fogo cruzado, encontram-se não somente os médicos, mas também todos os outros profissionais da área. Portanto, é urgente o afluxo de mais recursos para tratar a saúde do país. Um dos motivos dos altos custos dos serviços é a sofisticação dos exames complementares. As novas tecnologias são essenciais na medicina moderna, porém são mais úteis quando se embasam em uma boa história clínica e em um bom exame físico da pessoa doente. Nas consultas, os médicos devem gastar um pouco de tempo para ouvir os pacientes, bem como para examiná-los. Afinal, saber usar a audição, a visão, o tato e até o olfato é crucial na boa prática médica. Não há como se desprezar algo tão eficaz e tão humano. Essa práxis é benéfica, tanto para a confiança do cliente e para o esmero diagnóstico, quanto na redução do custo, pelo uso mais preciso dos exames complementares. Contudo, esse é apenas um detalhe de um problema muito complexo. O médico não deve ser visto como vilão, porquanto, na verdade, ele é vítima de um sistema que o obriga a trabalhar em demasia e que induz às consultas e aos atendimentos rápidos além da conta e em condições escassas de meios. 18 de outubro é o dia do médico, dia de São Lucas, o padroeiro da profissão. Toda a sociedade deve render honras a esse profissional que, em quase todo o mundo, não é corretamente reconhecido. Para completar graduação e residência, estuda cerca de 9 anos – e nunca para de estudar –, trabalha além das jornadas comuns em outras profissões e ganha aquém do que merece. Bendito seja o médico, na ventura e nobre missão de minorar o sofrimento humano.

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