Um amigo, a festa e o discurso - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Um amigo, a festa e o discurso

Ao telefone, a voz típica de um grande amigo: “Vou celebrar meus 80 anos com uma festa na fazenda Bom Destino, com a família e alguns amigos. Quero que você e Ana venham e tragam filhos e netos”. Perguntei se ele tinha certeza da amplidão do convite pois seria muita gente. “Não há dúvidas, venham todos”, disse-me Haroldo Pinheiro Borges, com aquele seu jeitão franco, aberto e sincero. Expliquei-lhe não ser possível a minha presença devido à data, mas alguém do meu grupo familiar iria abraçá-lo. Por meio de um filho e de uma filha, enviei-lhe a seguinte mensagem: “Como se fosse eu, alguns dos meus filhos estarão presentes na festa dos seus 80 anos bem vividos. Nossa amizade vem de longe, desde quando tínhamos menos de duas décadas de vida, e prolonga-se no tempo e por meio dos nossos filhos e netos, para a sua e para a minha alegria. Você é um exemplo de vida, na condição de pai de família, de cidadão digno, de empresário, de amigo, de líder, conciliador, otimista, construtor da paz. Há uma outra aptidão que só se revelou na maturidade: ser também escritor, com pleno êxito. Mas eu sempre soube do seu interesse pelas novas ideias e pela boa leitura, ao lado de uma diferenciada e alta inteligência.”

Pelo relato dos meus filhos presentes na fazenda Bom Destino, no dia 14/05/2016, bem assim por meio das diversas mídias, em especial, o texto escrito pelo jornalista Woden Madruga, pude avaliar a beleza de festa – sob o ritmo do genuíno forró pé de serra – que foi a celebração das oito décadas de vida de Haroldo Pinheiro Borges. Meus filhos Romeica e Augusto me passaram a emoção que se propagou durante o discurso do aniversariante, a quem pedi uma cópia.

Referindo-se aos genitores e à fazenda, ele disse: “Agradeço aos meus pais, que me fizeram ver a luz nesta casa. Francisco, o Chicó Pinheiro, filho do venerável João Batista Pinheiro Borges, e Josefa, filha do Coronel Joaquim da Virgem Pereira. Meu umbigo está enterrado no mourão da porteira do curral, voltada para o nascente. Esse enterro pitoresco fazia parte do ritual que expressava o desejo paterno: ‘Deus lhe dê uma boa fortuna, meu filho’. Lá na porteira, o meu umbigo aduba as minhas raízes cada vez mais viçosas e profundas. (...) Nada afasta o meu coração de Queimadas, das glebas do Bom Destino. Aqui estou de novo e me entrego 80 vezes a esta terra amada e a cada um de vocês”. Para os descendentes, foi essa sua mensagem: “Espero, com fé, que os meus descendentes conservem este mundo encantado que nos uniu em muitas ocasiões. A minha Shangri-La. As gerações futuras dos Pinheiro Borges merecem a paz da alvorada e o silêncio das estrelas nas noites mornas e serenas. Que um galo os acorde, que saibam das horas pelo relinchar do jumento. Que cantem com os pássaros no despertar de um novo dia”.

Já falei que a amizade com Haroldo Pinheiro Borges vem dos longevos tempos de alunos dos mesmos colégios, morando na mesma singela pensão de estudantes do interior. Também me referi ao seu pendor para a escrita, haja vista as poucas linhas desse discurso, acima transcritas. Em um dos seus livros, traça o perfil do pai Chicó Pinheiro, e no outro, traz as lembranças da sua mãe Josefa, e do seu avô Joaquim da Virgem, além da saga de homens e mulheres do Seridó, e de um dos símbolos da riqueza regional, o algodão. Aplausos para Haroldo Pinheiro Borges.

Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

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