Srougi: o bisturi e a palavra - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Srougi: o bisturi e a palavra

Mais uma vez, ouve-se a voz de um dos paladinos da medicina do país, Dr. Miguel Srougi, sobre um tema relevante para o Brasil, no caso a possível vinda de médicos estrangeiros para suprir a falta desses profissionais nas pequenas cidades brasileiras. Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 30 de junho passado, sob o título Depredando a saúde da nação, Miguel Srougi é claro e incisivo: "O que farão os médicos estrangeiros nas áreas remotas do Brasil apenas com termômetros e estetoscópios nas mãos? Médicos que nos casos mais delicados nem atestado de óbito poderão assinar, pois não conseguirão identificar a causa da infelicidade". O autor aborda também as barreiras da comunicação que esses médicos irão enfrentar, além da formação inadequada para o rol de doenças alheias às suas realidades; e aponta a frustração dos profissionais alienígenas por terem de viver em regiões com escassas condições de conforto para eles próprios e para suas famílias.

Dr. Miguel Srougi é o ícone número 1 da urologia brasileira. Seu nome é destaque não somente no Brasil, pois figura entre os mais ilustres e respeitados especialistas do mundo. Na plataforma Lattes do CNPq, é notável seu currículo, cujas referências provam o quanto ele fez e faz para ser admirado como professor, pesquisador, escritor, orientador de gerações. Sua "alma mater" é a USP, onde fez a graduação, o mestrado e o doutorado, além de uma pós-graduação na Harvard Medical School. Professor titular de urologia da USP, publicou 364 trabalhos em revistas nacionais e internacionais indexadas, é autor ou coautor de 14 livros e escreveu 172 capítulos de obras científicas, para citar somente alguns tópicos do currículo. Já recebeu dezenas de prêmios e comendas nacionais e internacionais. O Programa de Pós-Graduação em urologia da USP, no qual lidera um grupo de primeira grandeza , tem conceito 6 da Capes. Há muitos anos, é articulista da Folha, com textos sobre questões médicas e sobre temas importantes para a sociedade brasileira, quando usa a palavra para expressar sua opinião de forma precisa, firme e eficaz, similar ao que faz todos os dias ao manejar um bisturi.

Já seria muito se o Dr. Miguel fosse somente o insigne médico que é, com cerca de 4 mil cirurgias realizadas em câncer de próstata, um expoente mundial na especialidade. Porém, o que o torna ainda mais admirado por todos é o seu humanismo sem limites, seu desapego às vantagens materiais, seu cuidado e seu afeto com os pacientes, sejam eles os mais ricos ou os mais pobres. Aliás, sobre os primeiros, diz-se que o PIB do Brasil passa por suas mãos, uma alusão aos maiores empresários do país que recorrem a Srougi em face das aflições pelas doenças da próstata. Homem solidário e fraterno, Dr. Miguel Srougi tem tido sucesso em captar doações dos mais ricos para melhorar as condições de atendimento aos doentes pobres. Em 2011, com a doação de R$8 milhões, as benesses tiveram como alvo os doentes carentes do Hospital das Clínicas da FMUSP. Por meio de doações o Professor consegue também incentivar bolsas de pesquisa para alunos, nos serviços sob sua direção.

Como se não bastassem as ações exponenciais do médico, professor, pesquisador, escritor e benfeitor, Miguel Srougi expõe de forma ampla e intensa sua alma de cidadão brasileiro, atento às questões que afetam a nação. Alguns dos seus artigos na Folha de S. Paulo são verdadeiras lições de cidadania, escritos por quem possui autoridade para falar a verdade. Mesmo que causem incômodos a certos setores, são também fontes de alertas para a correção de rumos na busca do bem comum. Quanto ao artigo "Depredando a saúde da nação", alio-me por completo ao texto e à sua principal ideia: a hora não é de importar médicos – um erro primário –, mas de priorizar investimentos para as áreas sociais, em especial para a saúde e para a educação.

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