Retratos da Vida - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Retratos da Vida

De forma casual, encontro com a dileta amiga Violante Pimentel, e ficamos a conversar por alguns minutos. De repente, ela reitera sua condição de leitora dos textos que publico nesta Tribuna do Norte, a cada duas semanas, o que, para qualquer autor, é motivo de satisfação.  No entanto, esse motivo duplicou quando a amiga se referiu ao meu livro Retratos da Vida, o qual reúne 86 crônicas, lançado em 2015. Comentou, então, o conjunto do livro, mas deu ênfase à crônica Pássaros matinais, que abre a seleção de cenas, na forma de textos, ou seja, de alguns retratos falados do meu cotidiano, que reuni sob o título de Retratos da Vida. Ao voltar para casa, após a alegre conversa com aquela amiga – pessoa culta, Procuradora do Estado, escritora – fui em busca do livro acima citado, a fim de reler a crônica que dela recebeu menção honrosa.  Trata-se de texto no qual ressalto o amor à natureza, bem assim o quanto de grandioso existe nas coisas simples, a exemplo do ato prosaico de ver e de ouvir os pássaros.

Temas sobre o apreço ao meio ambiente são recorrentes nas crônicas e artigos que já escrevi, ao longo do tempo. No livro Retratos da Vida, além de Pássaros matinais, outras crônicas atendem a esse quesito, entre as quais destaco “Baleias e crianças” e “O amigo beija-flor”.  Na primeira, reporto-me às baleias-francas-austrais, que, de agosto a outubro, podem ser vistas no litoral de Santa Catarina.  Elas gastam dois meses para migrarem das ilhas Geórgia do Sul – nordeste da Antártida – até a costa catarinense, a fim de terem aqui os seus filhotes, que já nascem com cerca de seis metros de tamanho e com peso em torno de cinco toneladas.  E escrevo:  “Felizmente, a caça a esses animais está proibida no Brasil e, hoje, não é mais a morte, mas sim a vida, que serve de fonte de renda, com a expansão do turismo para avistar baleias”.

Quanto à crônica “O amigo beija-flor”, escrevi-a em março de 2011, e assim começa o texto: “Tenho um amigo beija-flor, um pássaro mesmo, com suas asas velozes e seu corpinho fino e esguio.  Moro em uma casa com muito verde, bom lugar para as pequenas aves de Deus. (...) Entre os diversos tipos de pássaros que frequentam esse espaço, está o meu amigo beija-flor, ou os meus amigos beija-flores. Quando me demoro no exterior da casa, é muito comum ele aparecer com sua agitação para beijar uma flor ou somente para dar o ar de sua graça. (...) Talvez pressinta que sou seu amigo, quem sabe, pois gosto de vê-lo e espero alguns minutos para que apareça, pois vejo-o com afeição, carinho e especial apreço.” Alguns dias depois da publicação da crônica, em uma fila de supermercado, um cidadão que não conheço me abordou:  “Quero também ter um amigo beija-flor, o que devo fazer?” Risos.

Do texto Pássaros matinais, que a amiga Violante relembrou com tanto carinho, cito aqui essas frases:  “(...) além de ouvir, encanto-me com a visão dessas maravilhosas figuras dotadas de asas para voar. São donas do céu e da terra, voantes para longe ou para perto, pousam nas árvores, nos fios, nos telhados, nas antenas, nos muros ou no chão. (...) Os bem-te-vis são lindos, com seus papos amarelos, seus cantos vibrantes e festivos, suas poses de vencedores, seus ares de campeões”. Sem dúvidas, outros pássaros ainda poderão pousar nas minhas crônicas.


Daladier Pessoa Cunha Lima

Reitor do UNI-RN

Publicado na edição desta quinta-feira (14/11/2019) do jornal Tribuna do Norte

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