Pedro Nava, o memorialista - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Pedro Nava, o memorialista

Pedro da Silva Nava, mineiro de Juiz de Fora, nasceu a 5 de junho de 1903, e morreu no Rio de Janeiro, em 1984. Os estudos do ciclo básico, Nava cursou em regime de internato:  na fase inicial, foi aluno do colégio Anglo-Mineiro, em Belo Horizonte; na fase seguinte, durante cinco anos, levado pelos tios Alice e Antonio Sales, estudou no tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, sendo concluinte em 1920, na condição de laureado.  No livro Chão de Ferro, ele deixou essa reflexão, sobre seu tempo de colégio:  “O nosso período de colégio chegava ao fim. Ansiávamos por ele. Queríamos ir embora, terminar o curso, viver. (...) Não sabíamos que jamais teríamos tempo igual ao do internato, com sua disponibilidade, seu compasso de eternidade ...”

O livro Chão de Ferro está repleto de reminiscências do jovem Pedro Nava, com ênfase à vida no internato do colégio Pedro II, e dos finais de semana passados nas casas dos tios e outros parentes no Rio de Janeiro.  Há um relato que me chamou a atenção, fato – do qual eu já era sabedor – ocorrido em setembro de 1920: a visita à capital do país do rei Alberto I e da rainha Elizabeth, da Bélgica, uma gratidão ao Brasil pelo apoio aos aliados na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Da varanda da casa nº 166, da Av. Pedro Ivo, Pedro Nava, então com 17 anos, viu o rei e a rainha em desfile ao lado das autoridades brasileiras: “O Rei, a cavalo, pois ía passar em revista tropas na Quinta e no Campo de São Cristóvão. Era cor de rosbife, suava e parecia sangrar nas bochechas, de tão vermelho.  Num carro aberto, vinham atrás Epitácio e a Rainha.  Ela toda de branco, sombrinha branca, vermelha como um fiambre. Feia, mas de simpatia extrema”. Como era de praxe, o país anfitrião devia conceder ao Rei o título de Doutor Honoris Causa, mas, no Brasil, não havia universidade.  Por um ato do Presidente Epitácio  Pessoa, diversas boas faculdades foram reunidas e houve a criação da Universidade do Rio de Janeiro, a primeira do Brasil, hoje com o nome de Universidade Federal do Rio de Janeiro, uma das melhores do país.  E – não seja por isso – o título foi concedido ao Rei Alberto I.  No entanto, há quem conteste essa versão.

Daladier Pessoa Cunha Lima

Reitor do UNI-RN

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