O Rio de Clarice - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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O Rio de Clarice

“Passeio afetivo pela cidade”, completa o título acima, primor de livro de Teresa Montero que resgata a vivência de Clarice Lispector nos diversos bairros e ruas do Rio de Janeiro. A leitura flui de forma suave, em livro com lindas fotos, que envolvem Clarice e os diversos espaços públicos ou locais onde a famosa autora residiu ou frequentou. A capa mostra uma foto de Clarice Lispector ao lado do filho Paulo, sentados na areia da praia do Leme, pouco tempo depois de a bela escritora retornar para o Rio de Janeiro, ao se separar do marido, o diplomata Maury Gurgel Valente, em 1959. Logo nas primeiras páginas, outra foto de Clarice, tendo ao lado os filhos Paulo, Pedro e uma amiga. Em crônica publicada na Folha de S. Paulo, em outubro de 2018, em alusão ao livro de Teresa Montero, recém-lançado, o escritor Álvaro Costa e Silva comenta: “Ela acabara de voltar dos Estados Unidos, já separada do marido diplomata, e escolhera o recanto meio escondido da zona sul para morar. A escritora nascida na Ucrânia mais parece uma carioca da gema de tão à vontade na areia: maiô de alças, óculos escuros e impressionantes pernas longas e bronzeadas. Gatíssima, entrando em seus 40 anos.” De fato, a beleza física de Clarice chamava a atenção.

Clarice Lispector pertence ao grupo restrito dos melhores escritores do Brasil, com ênfase entre os autores de contos, embora tenha destaque no rol dos cronistas e dos romancistas, sem esquecer seus livros infantis. Algumas das suas obras já viraram filmes, e, nos próximos dias, o cineasta Luiz Fernando Carvalho pretende levar ao cinema o romance “A Paixão segundo G.H.”, que é, conforme os críticos, uma das máximas criações literárias de Lispector. A Hora da Estrela é o seu romance mais conhecido, e, no cinema, compõe a lista dos cem melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Clarice nasceu em 10 de dezembro de 1920, na Ucrânia, e morreu em 09 de dezembro de 1977, no Rio de Janeiro, onde morou a metade do seu tempo de vida. Hoje, passados mais de 30 anos da sua morte, é crescente o respeito da crítica, do mundo acadêmico e dos jovens leitores à sua vasta obra. Uma grande parcela dos seus fãs nasceu depois de 1977. Assim, a leitura de Clarice Lispector agrada às diversas gerações, em sua linguagem única, no afã de perscrutar a alma humana. 

O principal biógrafo de CL é o escritor norte-americano Benjamim Moser, com o seu livro de 648 páginas, “Clarice, uma biografia”, lançado em 2009. Em 2015, ele organizou outro livro de grande impacto, com 654 páginas, o qual reúne todos os contos da escritora. Neste livro  –  “Todos os contos” –, ele escreve no prefácio: “A sua arte nos faz desejar conhecer a mulher; e ela é uma mulher que nos faz querer conhecer sua arte”. Ao final, ele diz: “Clarice Lispector: uma Tchekhov feminina nas praias da Guanabara”. De fato, o realismo nas obras de ficção, tanto de Clarice quanto de Tchekhov, é ponto comum capaz de unir o famoso escritor russo e a autora de A Hora da Estrela.

A autora Teresa Montero é também a líder do passeio cultural “O Rio de Clarice”, circuito cultural que há 10 anos encanta os participantes, com passagem pelos bairros Tijuca, Centro, Catete, Botafogo, Cosme Velho, Jardim Botânico e Leme. O livro O Rio de Clarice segue esse roteiro, e, na leitura, pressente-se a aura de Lispector, que até parece flanar pelas várias páginas, vista por meio da arte da palavra escrita e de fotos magistrais. Um deleite.     

Daladier Pessoa Cunha Lima

Reitor do UNI-RN       


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