O cérebro de Einstein - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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O cérebro de Einstein
17.01.2013

O grande pesquisador alemão Albert Einstein (1879-1955) é mais conhecido por sua famosa Teoria da Relatividade, a qual revolucionou os estudos da física. Comenta-se que era disléxico, ou portador de um tipo de autismo, mas, na verdade, tinha mesmo uma inteligência bem acima da média. Além das suas revolucionárias pesquisas na matemática e na física, seus pensamentos sobre a vida e sobre os seres humanos expressam-se em frases que remetem à reflexão e fixam ideias de perspicaz conteúdo. Apesar de ser um dos maiores cientistas que o mundo já conheceu, Prêmio Nobel de Física em 1921, com tudo para aderir à presunção da inexistência de Deus, sabe-se da sua convicção nos limites da ciência e da crença na força do Criador. Vincula-se ao tema a sua frase sobre ciência versus religião: "A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega".

Na revista Língua Portuguesa, edição de dezembro/2012, encontro uma dessas máximas de Einstein: "Qualquer homem que lê demais e usa o seu próprio cérebro muito pouco cai em hábitos preguiçosos de pensar". Ora, parece até paradoxal, pois a leitura em si já envolve o uso do cérebro do próprio leitor. No entanto, entendo que a frase remete à vantagem de usar a leitura para transformar a mente em fonte constante de reflexões e de saberes, ao sair da inércia para a forma ativa de pensar e de agir. Aliás, não é outra a imagem que fazemos da vida intelectual de Einstein, os estudos diários e as leituras a proverem um conjunto neural incomum, para gerar tanta energia criativa e tanto conhecimento capazes de dar novo rumo aos modelos científicos até então vigentes.

Há poucos dias, uma manchete da Folha de S. Paulo me chamou a atenção: "Cérebro de Einstein era mais complexo que o normal". A autópsia realizada em 1955 no corpo do notável pesquisador, tido como um dos maiores gênios de todos tempos, mostrou um cérebro menor do que a média. O patologista que fez a autópsia, Thomas Harvey, retirou o cérebro de Einstein e o manteve em formol. Depois de fazer diversas fotos, cortou a massa cerebral em 240 blocos, os quais foram seccionados em cerca de 2000 lâminas, prontas para estudos microscópicos. Como havia muito interesse e curiosidade sobre esses estudos, Harvey guardou uma parte das lâminas e dividiu outra parte com renomados pesquisadores ao redor do mundo, para quem enviou junto com algumas das fotos do cérebro inteiro. As pesquisas e as análises feitas à época não mostraram qualquer indício de algo fora do comum, e o assunto caiu no esquecimento. Décadas depois, novas pesquisas mostraram que o lobo parietal do cérebro de Einstein continha contornos diferentes de sulcos e rugas, numa área relacionada às funções espaciais e visuais. Além disso, foi visto um aumento de células gliais para cada neurônio.

Recentemente, ainda conforme o texto da Folha, a antropóloga Dean Falk e colegas, da Universidade do Estado da Flórida, voltaram a fazer análises estruturais, por meio das fotos do córtex cerebral do famoso gênio da ciência, e identificaram áreas complexas e fora dos padrões. Os achados estavam localizados no córtex pré-frontal, justamente o local vinculado ao pensamento abstrato e aos célebres experimentos mentais do físico, tal qual aquele em que se viu em uma aposta de corrida com um feixe de luz. Outras particularidades foram notadas no córtex somatossensorial, as quais podem estar relacionadas às habilidades de Einstein com o violino. Para a neurocientista canadense da Universidade Mc Master Sandra Witelson, abre-se um novo desafio para as pesquisas sobre o pequeno e prodigioso órgão onde nasceram as teorias do físico alemão. Há muita celeuma sobre o assunto, mas, até o momento, restam apenas uma surpresa: o cérebro de Einstein era um pouco menor que o padrão; e uma previsão transformada em certeza: sua massa cinzenta era mais complexa que o normal.

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