Jean-Jacques, Mary e Nísia - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Jean-Jacques, Mary e Nísia
20.05.2011

Nasceu em Genebra – Suíça, a 28 de junho de 1712, e morreu na França, em 2 de julho de 1778. Teve uma infância conturbada e uma errante vida adulta, mas deixou obra intelectual das mais expressivas para a humanidade. Pondo o sentimento acima da razão, Jean-Jacques Rousseau viu a liberdade como um bem supremo, uma exigência da natureza essencial do homem. Em seu famoso “O Contrato Social”, ele procura aliar essa liberdade de origem com a vida em sociedade, e cria a expressão Vontade Geral, em outras palavras, lança a ideia de soberania do povo. A Revolução Francesa esteve impregnada com os pensamentos de Rousseau, daí as palavras símbolos liberdade e igualdade. Por se voltar para a consciência natural do homem, ele se aproxima do “conhece-te a ti mesmo” socrático, mas a visão de interioridade humana de Sócrates recorre à razão, enquanto o pensador de Genebra põe ênfase no sentimento. Apesar da força renovadora das ideias de Rousseau, sua posição em relação às mulheres era conservadora, radical, na direção de manter o “status quo” vigente, de opressão e de exclusão. Para ele, as mulheres serviam somente para o papel de esposas e de mães, distantes de qualquer função política. Em seu livro Emílio, a figura de Sofia bem representa a mulher ideal, submissa, superficial, disposta a atender os mandos do esposo e pronta para viver o dia a dia do lar. Também no século XVIII, viveu na Europa uma mulher culta, plena de coragem, que se superou ao lançar o principal alerta e ao mostrar o rumo das mudanças do papel feminino na sociedade: Mary Wollstonecraft. Nasceu em Londres, em 1759, e morreu na mesma cidade, em 1797. Teve uma vida difícil, em parte por causa do primeiro casamento, quando tentou suicídio por duas vezes, face à tirania do esposo. Alguns meses antes de morrer, casou com William Godwin, filósofo do iluminismo, com quem teve uma filha, a qual se tornou escritora renomada – Mary Shelley, autora do romance Frankenstein. Mary Wollstonecraft escreveu diversos livros, com destaque para A Vindication of the Rigths of Woman – Uma Defesa dos Direitos da Mulher –, publicado em 1792. Nesta obra, Mary se contrapõe à subordinação feminina, tida, à época, como algo próprio da ordem natural; pugna pela igualdade de direitos e deveres de ambos os sexos e condena a tese da educação feminina direcionada para a submissão aos valores masculinos. Esse livro, do qual não conheço edição em português, constitui um marco mundial do movimento pela emancipação da mulher. No capítulo IV, a autora se reporta aos argumentos de Rousseau, pelos quais, educadas, as mulheres perderiam seu encanto e seu poder natural sobre os homens: “Educate women like men”, diz Rousseau, “and the more they resemble our sex the less power will they have over us”. Mary, então, contra-argumentava: “This is the very point I am at. I do not wish them to have power over men; but over themselves”. A famosa escritora inglesa não estava em luta pelo poder, mas pela dignidade pessoal da mulher, para torná-la cidadã com todos os direitos e deveres. No Brasil do século XIX, os ideais de emancipação feminina começavam a florescer. Um nome se destaca nessa linha de vanguarda: Nísia Floresta Brasileira Augusta, que nasceu em 1810, na vila Papari – RN, e morreu em Rouen, na França, em 1885. Casou muito nova, mas logo rompeu essa união, e encontrou Augusto, o grande amor da sua vida, ainda estudante de Direito no Recife. Ousada, morou em Pernambuco, Rio de Janeiro, Porto Alegre e na Europa, onde viveu por muitos anos. Escritora de grandes méritos, deixou importante acervo em prosa e em poesia, mas sua principal obra tem o título Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens, de 1832, inspirada nas ideias de Mary Wollstonecraft, “...texto fundante do feminismo brasileiro”, conforme define a escritora Constância Lima Duarte.

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