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Honras aos médicos de 1965, da UFRN

10 de dezembro de 2015 é uma data muito significativa para mim, pois completo 50 anos de formado em medicina, na UFRN. Permitam-me os prezados leitores que registre aqui essa emoção, porquanto há momentos inesquecíveis na vida de qualquer pessoa, e aquela colação de grau de cinco décadas atrás ficou para sempre gravada dentro de mim. Não só a colação de grau, mas também os seis anos de convívio e de estudos, as amizades nascidas desse partilhar de sonhos, a envolver colegas, professores e quantos fizeram parte da Faculdade de Medicina, entre os anos de 1960 a 1965. Depois de vários anos de prática e de ensino médico, fiz a opção de me dedicar à educação, e, agora, posso afirmar: deixei a medicina, mas ela nunca me deixou.

A minha turma era composta de 21 alunos, sendo cinco mulheres e 16 homens. Do total, quatro já se mudaram para a outra morada, percentual que permite dizer tratar-se de um grupo longevo, graças a Deus. No meio desse resgate proustiano, afloram os nomes de todos, a começar pelos que já se foram, e renovo o apreço e a afeição a cada um dos 21 colegas e amigos. Hoje, em um olhar sobre a turma, ao focar tanto no exercício da profissão quanto em outras áreas, uma palavra de conclusão se sobressai: sucesso. Em honras à turma de médicos de 1965, da UFRN, elegi o dia exato dessas bodas de ouro – enlace com a medicina – para lançar o livro Retratos da Vida, o qual reúne 86 crônicas escolhidas entre as tantas que já escrevi e publiquei nesta Tribuna do Norte. Em uma das primeiras páginas do livro, consta uma mensagem minha aos colegas médicos dessa turma, cuja transcrição, na íntegra, está contida nos dois parágrafos seguintes.

"Toda saudade é uma espécie de velhice". Essa frase do grande escritor e médico Guimarães Rosa fez parte do nosso convite de formatura, cuja sessão solene ocorreu no Teatro Alberto Maranhão, em 10 de dezembro de 1965. Saudade daquela noite memorável, da qual vocês me fizeram o orador da turma; saudade enorme dos seis anos de convívio na Faculdade de Medicina, quando nasceu em nós uma sólida e perene amizade; saudade de um tempo bom que se foi, mas deixou as benesses de uma ótima lembrança, que só faz bem ao coração. Infelizmente, quatro colegas já partiram, porém os recordamos com o mesmo sentimento fraterno, como se estivessem presentes nessa data de tanta emoção, 10 de dezembro de 2015, dia do 50º aniversário da nossa colação de grau. Nessa visão pregressa, assomam também as figuras dos queridos professores, artífices da nossa formação e partícipes dos nossos êxitos, a quem reiteramos as honras que sempre lhes prestamos.

Penso que Guimarães Rosa, genialmente, quis dizer: à medida que o tempo passa, vão se acumulando em nós recordações de um passado do qual sentimos falta. Não sabíamos que, meio século depois, o pensamento do famoso mestre teria até mais significado, pois, se a passagem inexorável do tempo nos deixou as marcas físicas do peso dos anos, não apagou a lembrança dos dias venturosos daquela longínqua convivência. Assim, sentimos saudade, mas é uma saudade boa, capaz de nos remeter a um passado feliz, de uma fase tão auspiciosa das nossas vidas.

Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

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