Honras à Liga Contra o Câncer (2) - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Honras à Liga Contra o Câncer (2)

Em texto anterior, escrevi sobre os grandes méritos dos serviços de saúde prestados pela Liga Norte-Rio-Grandense Contra o Câncer, bem assim das dificuldades que enfrenta no dia a dia. É enorme a demanda de pessoas doentes à unidade ambulatorial da Liga, vindas de todo o Estado e de estados vizinhos. Somente vendo de perto se pode avaliar o quanto sofre o paciente que vem de longe, tendo de fazer frequentes viagens, longas e sem conforto – como se não bastassem a dor e as agruras da própria doença –, a fim de alentar seu desejo de se tratar e de manter a vida. Cito o exemplo de humilde homem de 70 anos, que saíra de casa, perto de Assu, à meia-noite, no intuito de chegar cedo para fazer uma tomografia prévia à radioterapia da próstata. Já era a terceira vez que fazia o percurso, de ida e volta, em dias diferentes, na tentativa de realizar o exame – o qual precisa de boa preparação do intestino –, sem obter sucesso. Seu semblante de cansaço, seu desânimo e sua tristeza fixaram-se na minha lembrança. Casos como esse aumentam a revolta pela falta de prioridade para com a saúde pública, e ressaltam a repulsa aos desvios dos recursos da nação para destinos torpes. Ainda bem que existem serviços médicos como a Liga Norte-Rio-Grandense Contra o Câncer, a qual acolhe a todos com igual atenção, isto é, a condição
social não importa para a forma de atender o doente.

Na Liga, recebi 33 seções de radioterapia pélvica prescritas pela Dra. Rosa Maria Naja, como tratamento adicional após cirurgia da próstata, feita dois anos atrás. A Dra. Rosa Maria, que trabalha em tempo integral na Liga Contra o Câncer, reúne, em uma só pessoa, as qualidades máximas da profissão médica: competência, humanismo, total cuidado com o doente, dedicação e foco nos avanços na área de atuação, além de outras virtudes.

Aliás, o zelo profissional, a conduta ética e o amor ao trabalho, sob os melhores padrões desejados, permeiam os diversos setores da unidade, a começar pelos competentes e altruístas gestores da Instituição. Em homenagem ao conjunto dos ótimos profissionais que prestam seus serviços à Liga, nas várias instâncias e nos diversos setores, permito-me citar os nomes de Adailton, Sany, Gilena e Arthur, que me atenderam por mais vezes, durante o uso do acelerador linear.

Na sala de espera, no aguardo da chamada dos seus nomes para fazerem a seção de rádio, havia um clima de descontração, quando os presentes mantinham conversas amenas e alegres, uma espécie de partilha de coragem, de apoios e de ânimos. Conheci várias pessoas com quem costumava conversar, as quais se revelaram cheias de grandezas humanas, não obstante a simplicidade circunstancial de suas vidas. No meu primeiro dia da rádio, ao chegar à sala de espera, um cidadão de cabelos brancos me reconheceu e veio conversar comigo. Era Geraldo, pedreiro, que trabalhou como auxiliar na construção de uma casa minha, 35 anos atrás. Relembramos fatos e pessoas daqueles tempos passados. Foi uma emoção reencontrar Geraldo depois de tantos anos, nós dois, agora, com o mesmo diagnóstico, no mesmo lugar e em busca dos mesmos intentos. A Liga está certa: todos são iguais. É bastante relembrar: "do pó que fomos ao que haveremos de ser". Somente os soberbos e os tolos desprezam essa verdade.

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