Homo sapiens e violência - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Homo sapiens e violência

Ao se perguntar, a qualquer cidadão, quais os grandes problemas dos dias atuais, a violência surge entre os primeiros lugares. Nas redes sociais, na TV, nos jornais, enfim, em todos os meios de informação, a violência humana vigente assusta e induz à percepção de que, nesse item, os índices de qualidade de vida declinam dia após dia. São guerras, genocídios, ações terroristas, altas taxas de homicídios urbanos, estupros, roubos, agressões verbais e psicológicas, tudo isso e muito mais, que permeiam o cotidiano das pessoas do planeta, com ênfases variáveis para cada tipo de ofensa, a depender do país, da região, da cultura, da religião, ou de outros fatores. A sociedade atual é levada a pensar que essa alta violência é algo novo, é um fenômeno próprio do mundo hodierno. Porém, como diz o Eclesiastes: “Não existe nada de novo debaixo do sol”. A história do homem se confunde com a história da violência. Basta olhar para a Bíblia, em especial para o Velho Testamento, a começar pelo crime de Caim que matou Abel, seu irmão.

Um estudo recente feito na Universidade de Granada – Espanha, tenta mostrar que a violência humana resulta de um legado evolutivo da espécie. Publicado na revista Nature, o estudo, coordenado pelo Professor José Maria Gomez, foca numa visão filogenética da violência letal humana. O trabalho investiga até que ponto a filogenia do Homo sapiens, isto é, o parentesco dos seres humanos com outros seres vivos, exerce influência no comportamento violento dos membros da espécie, capaz de levar a tão alto índice de mortes de semelhantes. É válido relembrar que a revista Nature só publica resultados de pesquisa científica de elevado conceito internacional.

Os pesquisadores usaram um banco de dados gigantesco, com informações sobre 4 milhões de mortes em 1024 diferentes espécies de mamíferos. Verificaram-se mortes violentas em 40% dessas espécies, mas com uma taxa de certa forma baixa, de 0,3% do total de óbitos. O que chama a atenção é o aumento progressivo dessa causa mortis entre as espécies mais próximas dos primatas, o subgrupo no qual se encontram os macacos e o Homo sapiens. Entre os primatas a violência letal é 6 vezes maior do que a dos mamíferos como um todo. As baleias e os morcegos foram os mamíferos menos causadores de mortes violentas no grupo das suas respectivas espécies.

As marcas da violência deixadas em antigos esqueletos serviram para identificar o tipo de morte – se natural ou violenta – nos casos listados da pré-história. Para os últimos séculos, bastou compilar certidões de óbito mundo afora, a fim de se saber a causa mortis dos casos arrolados na pesquisa. A conclusão desse importante estudo mostrou que a alta violência dos seres humanos se deve a questões evolutivas da espécie. Sendo assim, há algum meio capaz de baixar essa natural tendência? Os autores do estudo, porém, concluem que, nos últimos 500 anos, houve uma lenta melhora, ou seja, houve queda da proporção de mortes violentas no âmbito do convívio dos seres humanos. Essa conclusão da pesquisa, que merece fé, opõe-se ao sentimento geral dos habitantes do planeta. É de se acrescentar, nesse quesito, que baleias e morcegos, de convivência pacata e tranquila entre seus pares, poderiam até se sentir mais seguros, não fossem as agressões que sofrem do própro homem.

Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

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