Encontro de ideais - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Encontro de ideais

Não é de hoje o anseio por novas terapias que garantam vida mais longa e tragam mais alegria de viver.  Em dias recentes, as mídias estão cheias de notícias sobre a pílula que a USP – campus de São Carlos – produz,  desde a década 1990, usada por milhares de pacientes de cânceres diversos, mesmo sem aval da Anvisa, assunto sobre o qual escrevi o texto “O imbróglio da pílula da USP”, publicado nesta Tribuna do Norte, duas semanas atrás. Essa atual confusão, que envolve a USP, a Justiça, a Anvisa, médicos e outros setores, relembra-me um fato narrado para mim pela professora Noilde Ramalho, nas longas entrevistas prévias à redação do livro Noilde Ramalho – Uma História de Amor à Educação, de minha autoria, 554 páginas, 2004.

O capítulo II do citado livro narra o momento em que  Noilde Ramalho conheceu Henrique Castriciano, em 1936, na tranquila cidade de Nova Cruz-RN, à época com cerca de dois mil habitantes.  Esse momento marca o encontro primevo dos dois principais protagonistas de uma fascinante história educacional. Ele, criador da Liga de Ensino do Rio Grande do Norte e da Escola Doméstica de Natal; ela, sequenciadora da obra pioneira, autora emérita da expansão da oferta de educação de qualidade a várias gerações de brasileiros, e, em especial, de norte-rio-grandenses.

Naquele ano, 1936, crescia a fama, em cidades da PB e do RN, de um dito farmacêutico, Dr. Fábio, que produziu uma “vacina” feita da saliva de um menino por ele selecionado. Após processo de filtração e de outros métodos mantidos em segredo, o Dr. Fábio injetava a tal “vacina” na coxa das pessoas crédulas, com a promessa de que doenças diversas seriam curadas, entre as quais estavam a sífilis, a tuberculose, gripes, bronquites e artrites. Enfim, uma verdadeira panaceia, que logrou a credibilidade de grande parte das populações das cidades, inclusive de pessoas de maior nível intelectual: juízes, padres, advogados, engenheiros, escritores e até médicos.

A pacata Nova Cruz de repente se transformou em centro de atenção de todo o Estado, com a chegada do Dr. Fábio, vindo da Paraíba. Uma multidão acorreu à cidade, na esperança de obter a cura para seus males. Por incrível que pareça, também chegou por lá, com o mesmo intuito, o Dr. Henrique Castriciano de Souza, a vida toda preocupado com doenças, pois, na verdade, sofreu de tuberculose pulmonar e de alterações da tireoide. O atendimento às pessoas ávidas para receberem o santo remédio ocorreu, por altruísmo, na residência de Odilon Amâncio Ramalho, pai de Noilde Ramalho, a qual tinha 16 anos e era aluna da Escola Doméstica. Sabendo da presença de Henrique Castriciano no meio da multidão, Odilon Amâncio dispôs para que o ilustre homem público e escritor tivesse diferenciado atendimento, e mandou sua filha Noilde ajudar o Dr. Fábio nos procedimentos para aquele caso. Noilde Ramalho revelou que seu coração foi a mil, naquele momento, quando encontrou Henrique Castriciano pela primeira vez.

A vacina da saliva criada pelo Dr. Fábio foi de total frustração. Mas o encontro de Noilde Ramalho e Henrique Castriciano, no decorrer do tempo e no tocante aos ideais de cada um, foi de total sinergia em prol de um longo e proficiente trabalho educacional.

Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

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