Encantos de Lisboa - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Encantos de Lisboa

Em texto anterior, reportei-me à recente viagem a Portugal, e, ao final, falei de um tour por alguns locais de Lisboa, à frente o Professor Fábio Fidelis, do UNI-RN. Antes de começar o passeio, ficamos algum tempo sentados à mesa na calçada da Pastelaria Suíça, no Rossio, chamando atenção a ausência da língua portuguesa entre os vários gringos ocupantes das cadeiras vizinhas. O grupo – oito pessoas amigas – saiu do Rossio, depois de comentários sobre a estátua de Dom Pedro IV – 28º Rei de Portugal – que é o Dom Pedro I, do Brasil, e sobre o Teatro D. Maria II, cuja construção data de 1846/1849. Comentou-se também sobre o Palácio da Inquisição, que ficava no mesmo local onde se ergueu o Teatro. No caso, permutou-se a maldade pela virtude. 

Em seguida, o grupo adentrou a Igreja de São Domingos, com linda arquitetura barroca. Essa Igreja guarda uma história repleta de cenas trágicas, pois o templo, a par dos incêndios e terremotos – terramoto como dizem lá – remete a uma passagem triste da vida lusitana: o conhecido Massacre de Lisboa. No ano de 1506, Portugal vivia grande crise, sob o drama da fome, da seca e da peste. Durante uma missa no Convento de São Domingos, no dia 19 de abril daquele ano, um judeu, na condição de cristão-novo, se opôs à versão de que um sinal de luz vindo de um crucifixo era uma mensagem divina de milagre para livrar o país de tanto sofrer. Por esse motivo, foi expulso da Igreja e torturado até à morte, seguindo-se uma matança de cristãos-novos: cerca de 1.900 foram mortos cruelmente, em toda a cidade. Essa data também resgata a verdade de que é antiga a prática de crimes em nome de Deus. Em 1959, a Igreja de São Domingos viveu mais um grande incêndio, quando houve severos danos em notável acervo artístico. O interior do templo foi refeito, mas manteve as marcas do fogo. 

Hoje, Portugal é um dos países mais acolhedores do mundo. Um painel, na Praça de São Domingos, ostenta a frase: “Lisboa, Cidade da Tolerância”, em 34 idiomas. Bem perto dali, está o edifício da Sociedade de Geografia de Lisboa, citado com destaque no livro “Lisboa: o que o turista deve ver”, do poeta Fernando Pessoa. Nos anos 1940, Câmara Cascudo recebeu comenda da Sociedade de Geografia de Lisboa. Pela rua Garret chegamos à Praça Luís de Camões, para ver e admirar a estátua do grande poeta épico, inaugurada em 1867. De outra feita, pela rua do Alecrim, encontramos a estátua de Eça de Queiroz. Os dois monumentos em honra a duas glórias de Portugal estão nas páginas do livro de Fernando Pessoa sobre a sua querida Lisboa. Outro livro a ser lembrado: Portugal – Portão de Embarque I e II, do escritor Manoel Onofre Jr.

A bordo do elétrico 28, fizemos um passeio pitoresco, do qual não se precisa repetir os escantos e os solavancos. No alto, ao chegar ao Miradouro São Vicente, deixamos o bondinho e descemos a pé pelas estreitas e lindas ruas de Alfama, até alcançar a Casa dos Bicos, na margem do rio Tejo, onde se aloja a Fundação José Saramago, em honras ao famoso escritor. Deslumbre total, com destaque para a biblioteca e para o acervo de obras expostas à venda. Ademais, uma feliz surpresa: demos de cara com Pilar del Rio, com quem conversamos, fizemos fotos e expressamos nossa admiração e nosso interesse pela sua vinda a Natal.

Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

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