Consciência Negra - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Consciência Negra
27.11.2014

Em texto anterior – Honras a Nelson Mandela –, referi-me ao Centro de Convivência Nelson Mandela, que seria inaugurado no campus do UNI-RN. De fato, na manhã do dia 19/11/2014, o belo espaço, com cerca de 1.000 m², foi entregue aos alunos, professores e funcionários daquela IES. Quem adentra essa ampla área de convivência e de difusão cultural tem logo a atenção voltada para um painel com 3,30 m de largura por 2 m de altura, criação magistral de Levi Bulhões, um dos melhores artistas plásticos do Estado. No painel, sobressai a figura de Nelson Mandela, com um largo gesto de empatia popular, vendo-se, no alto, uma flâmula com as palavras paz, liberdade e igualdade. Abaixo, um livro aberto, no qual se lê uma das célebres frases de Mandela: "A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo". Figuras humanas brancas e negras saúdam com efusão o Nobel da Paz de 1993. Trata-se de uma bela obra de arte, para ser admirada e para evocar a vida do notável líder mundial.

Recebi muitos apoios pela escolha do nome Nelson Mandela para esse novo centro de convivência e de cultura. Porém um aluno me perguntou: "Por que um nome de tão longe quando existem tantos líderes locais também dignos da homenagem?" Em parte, concordei com ele, mas expliquei o quanto Mandela representa contra o racismo e o ódio, e a favor da paz e da visão de igualdade de direitos para todas as etnias. Resgatei seus exemplos de homem superior e lembrei as premissas que o seu nome suscita, as quais guardam perfeitos vínculos com as demandas sociais do Brasil. Concluí ao dizer que uma guerreira norte-rio-grandense, Clara Camarão, já recebe honras dentro do campus ED–HC–UNI-RN, e que uma instituição acadêmica tem de manter forte ligação com sua cultura local, mas sem encurtar o alcance do seu olhar universal.

Houve uma outra pergunta que precisou de resposta: por que o Dia da Consciência Negra é 20 de novembro, e não 13 de maio? A assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel, em 13 de maio de 1888, sem demérito do ato em si, não atende aos brios dos movimentos negros do Brasil, pois a data resgata apenas um evento formal, que não expressa a real resistência dos próprios escravos à escravidão, a exemplo das lutas constantes dos quilombolas. O principal quilombo da história é o dos Palmares, que tem em Zumbi o seu líder de maior destaque. Zumbi dos Palmares morreu em plena batalha, a 20 de novembro de 1695, daí a escolha dessa data – dia e mês – como o Dia da Consciência Negra, para mostrar a veraz importância dos africanos na formação social do Brasil.

Aqui em Natal tivemos a contenda: 20 de novembro, ser ou não ser feriado, eis a questão. Diante de tal impasse, lembrei-me do grande escritor e pensador Rubem Alves (1933-2014), e da sua crônica "As duas caixas". Ele diz que o corpo humano carrega duas caixas: na mão direita, mão da destreza e do trabalho, uma caixa de ferramentas; na mão esquerda, mão do coração, uma caixa de brinquedos. A caixa de ferramentas o homem usa na prática da sobrevivência; a caixa de brinquedos serve para o espírito, para as boas emoções. E vê relação dessa ideia com a filosofia de Santo Agostinho, do "uti" e do "frui". Na ordem do uti, usa-se uma coisa para se obter outra. Na ordem do frui, adere-se a alguma coisa por ela própria. Na primeira, está o poder; na segunda, a fruição. Bom seria se possível fosse aderir somente ao frui, à caixa de brinquedos, mas a vida exige também o uti, o uso da caixa de ferramentas. Eis a questão.

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