Chocolate, stent e e-patient - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Chocolate, stent e e-patient
11.10.2011

Quem não gosta de chocolate? Até agora, não me recordo de alguém que possa levantar a mão a essa pergunta. Uns tantos podem não ser vidrados em, mas afirmar que não gostam de chocolate, só aqueles conhecidos por serem sempre do contra. Há muito, sabe-se que os flavonoides contidos no cacau fazem bem à saúde, por se oporem aos radicais livres e pela ação antioxidante, com efeitos de proteção cardiovascular. Uma pesquisa séria, há pouco divulgada, sob a chancela da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, comprovou a eficácia do consumo do chocolate na redução do risco em desenvolver doenças cardiovasculares e diabetes. O trabalho científico envolveu 114 mil pessoas seguidas com registros de dados clínicos durante um período de oito a 16 anos. A pesquisa exalta a versão amarga, por conter mais cacau, e reprova o chocolate branco, por conter mais gordura. Como quase tudo na vida, há os prós e os contras na ingestão desses gostosos alimentos. São benéficos no controle da hipertensão e da resistência à insulina; por outro lado, podem levar ao aumento do peso, o que contribui para desfazer todos os fatores a favor e, pior, agir na contramão por causar ou agravar doenças. Qual o segredo? O estudo indica a ingestão máxima de 20 gramas – um ou dois quadradinhos de uma barra – por dia, de preferência do tipo amargo. O difícil é convencer um chocólatra assumido ou disfarçado a adotar esses padrões. É bom lembrar que chocolate não é medicamento, mas apenas – conforme a pesquisa – pode integrar os itens de uma refeição saudável, sempre sob os conselhos de um profissional da área. Na medicina, não são raras as mudanças nas condutas diagnósticas ou terapêuticas. O que antes era o melhor a fazer, de repente muda de direção e evolui para outras opções. Em alguns casos mais radicais, o que de rotina era prescrito, agora passa a ser proscrito. Felizmente é assim, porque o contrário seria a negação da pesquisa, seria o descompasso entre a ciência e a prática médica. Há poucos dias, um dileto amigo teve um diagnóstico de bloqueio parcial de uma artéria coronária. Recebeu aviso que seria fixado um stent no local mais estreito do vaso, a fim de garantir o fluxo normal do sangue na parede do coração. No entanto, após novos exames, o médico chegou à conclusão de que o tratamento seria outro, ou seja, adotou-se a tendência atual, de mais cautela no uso dos stents. Pesquisa realizada nos Estados Unidos com mais de 500 mil desses implantes nas artérias coronárias mostrou que, fora da urgência, na metade dos casos os benefícios foram incertos. É isso, o reinado dos stents está sob questão. Um tema a merecer atenção é o diálogo médico-paciente nos dias atuais. Com a internet, informações e saberes tornaram-se livres, fáceis de serem apropriados, o que induziu pessoas doentes a buscarem na rede o que há de mais novo sobre seus problemas de saúde. Já existem até comunidades online, para troca de dados sobre casos semelhantes. Cada vez mais, surgem os chamados e-patients, termo que nasceu nos Estados Unidos para identificar doentes ligados na web 2.0, no intuito de atinarem melhor sobre seus diagnósticos e trocarem experiências com seus pares. Claro que esses e-patients precisam ter o bom senso para separarem o joio do trigo, bem como para não quererem saber mais do que os médicos. E os médicos precisam entender que o diálogo com o paciente é o melhor caminho, orientando-o nas pesquisas em sites confiáveis. Isso já ocorre em muitos casos, conforme tenho ouvido de pessoas próximas. O importante é que exista respeito mútuo: de um lado o paciente, no direito de participar de forma mais efetiva do seu tratamento; do outro, o médico, no afã de curar ou, no mínimo, de abrandar a dor e o sofrimento. “Afinal, a origem em latim da palavra doutor é ‘docere’, que significa ensinar”.

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