Aviões de papel (texto de 21/05/09) - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Aviões de papel (texto de 21/05/09)

Escolho programas para ver na televisão, deixando de lado a face triste da TV como um todo.  A leitura diária de jornais é uma rotina prazerosa, também com a devida seleção das notícias, ou seja, “as amargas, não”, dentro do possível.  Para o rádio, nos raros momentos de escuta, prefiro as emissoras mais musicais, bem como procuro na web somente o lazer ou o que é útil e positivo.  Enfim, a mídia faz parte da vida de qualquer pessoa.  A par de ser fonte de cultura e de informação, deve ser usada, de preferência, para trazer bem-estar, em detrimento de mazelas e tristezas, porém sem perder os vínculos com a realidade.

Há poucos dias, li em um jornal uma notícia que me deixou surpreso e, ao mesmo tempo, feliz por saber que quatro jovens brasileiros viajariam para a Áustria, a fim de participar do torneio internacional de aviõezinhos de papel – Red Bull Paper Wings.  Eles estavam entre os 612 aviadores de todo o mundo que iriam disputar o campeonato em três categorias: acrobacias, tempo de voo e distância percorrida.  Fiquei na espreita e, em seguida, os jornais informaram que o Brasil foi campeão na modalidade “tempo de voo”, aliás, bicampeão, pois, no torneio anterior, em 2006, o país obteve igual sucesso. Agora, o estudante de engenharia Leonard Ang, de São Paulo, manteve no ar seu avião de papel por 11,66 segundos e mostrou ao mundo a capacidade de competir dos brasileiros, não somente nos campos de futebol, por exemplo, mas também na confecção e no arremesso de folhas de papel transformadas em leves e dinâmicas aeronaves. Para tanto, é preciso olhar nos detalhes do avião, nas dobras milimétricas, na forma correta, bem como na técnica e na prática do arremesso. Os outros dois pilotos campeões são da Croácia e do Japão.

Quem nunca fez um barquinho ou um avião de papel?  Como não tenho boa habilidade manual, os aviõezinhos que fabriquei sempre foram ruins de voo.  Quando criança, os poucos aviões de verdade que admirei nos céus de Nova Cruz, ou vi em raros filmes e em algumas revistas, eram monomotores ou bimotores nos seus formatos tradicionais.  Assim, as unidades de papel feitas por mim tinham um recorte no meio, entre a cauda e a cabine, diferente dos modelos atuais, já parecidos com os jatos de combate.  Certa vez, combinei com um amigo um projeto para lançarmos do alto da Igreja de Nova Cruz, em uma noite de festas, uma grande esquadrilha desses brinquedos por nós mesmos fabricados.  Seria um deslumbre para aumentar a alegria da festa.  A ideia ficou gravada, como um bonito sonho de criança.  O tempo passou, mas as tarefas lúdicas de transformar uma folha de papel em um brinquedo voador voltaram à tona, com os filhos e, depois, com os netos.  Tive de melhorar a técnica, porém, minha pequena habilidade manual é algo sem remédio.

Estou sempre perplexo com as proezas da aviação, cuja história é plena de heróis, haja vista o potiguar Augusto Severo e o maior de todos, Santos Dumont.  Há cerca de um ano, visitei uma fábrica da Airbus, em Toulouse, França.  Lá, pude ver de perto alguns passos da montagem do A-380, o atual maior avião do mundo.  Mas não foi um desses gigantes, e sim uma peça quase sem peso, que levou um brasileiro ao pódio, no torneio realizado em Salzburgo, cidade natal de Wolfgang Amadeus Mozart.  Cheguei a pensar na infância do grande gênio da música, sem muitos brinquedos – sem aviõezinhos de papel, é claro – pois logo cedo se dedicou à arte, no caminho da glória.

A propósito, permitam-me dizer: quem nunca brincou com filho ou neto com aviõezinhos de papel ou quem nunca parou para ouvir Mozart, não sabe o que está perdendo. 

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