“Aqui jaz um amigo dos livros” - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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“Aqui jaz um amigo dos livros”

Em crônica anterior, reportei-me ao historiador, diplomata e escritor Manoel de Oliveira Lima (1867-1928), bibliófilo que criou uma biblioteca com 58.000 volumes, a qual doou à Universidade Católica da América, Washington, D.C. Ele morreu na capital dos Estados Unidos e seus restos mortais estão naquela cidade, no cemitério Mont Olivet. Na sua lápide não consta o seu nome, mas a frase: “Aqui jaz um amigo dos livros”. Conforme dizem os estudiosos dessa biblioteca, trata-se do maior e melhor acervo sobre a evolução social do Brasil, no exterior, ou seja, é a mais importante biblioteca brasiliana fora do país. Em 1920, após muitos anos voltados para a diplomacia, Oliveira Lima e sua esposa Flora decidiram morar nos Estados Unidos. O casal não deixou filhos, e Flora teve um papel relevante na formação dessa especial coleção. Os livros estavam em várias cidades, com destaque para Recife, Lisboa e Bruxelas. Ao fazerem a unificação de tantos livros e outros itens do acervo, decidiram doar aquele tesouro cultural e histórico, a fim de ser útil às novas gerações de pesquisadores.

Do total do acervo, 6.000 são tidas como obras raras, a exemplo do livro de Gaspar Barleus, que narra os feitos de Maurício de Nassau em Pernambuco, ou edições iniciais de Camões, e até um panfleto que relata a Revolução Pernambucana de 1817. Um quadro do holandês Frans Post, de 1669, está emprestado à National Gallery of Art, em Washington, porque ainda é pequeno o espaço que acolhe a Biblioteca Oliveira Lima. Outro destaque são cartas trocadas entre Oliveira Lima e ilustres destinatários, tanto do Brasil quanto do exterior. Aliás, pensa-se em ampliar a área para que se possa expor parte dos vários trabalhos de artistas brasileiros do século 19.

Já relatei que a Biblioteca Oliveira Lima, a mais significativa coleção brasilianista no exterior, esteve fechada durante dois anos, mas reabriu em 31 de janeiro de 2018. Uma atual entusiasta desse espaço cultural brasileiro, localizado em plena capital dos Estados Unidos, é a Professora Duília de Mello, brasileira, Vice-Reitora da Instituição que alberga esse conjunto de obras voltadas para a identidade nacional do nosso país. A brasileira brinca e diz que, nos últimos dois anos, o local foi pouco frequentado, à exceção do fantasma de Manoel de Oliveira Lima: “Acho que ele vive aqui”. Como formavam um casal muito unido, dá para se deduzir que o fantasma de Flora também vive por lá. Além de digitalizar todo o acervo, a Universidade Católica da América tem planos de captar recursos para a construção de um prédio só para receber o precioso material. A ideia é transformar a biblioteca em um centro de estudos sobre o Brasil.

Reitero a grande honra da Liga de Ensino do RN de ter sido anfitriã desse notável brasileiro, Manoel de Oliveira Lima, quando ele veio paraninfar a primeira turma concluinte da Escola Doméstica de Natal. No seu discurso de paraninfo, na data de 25 de novembro de 1919, alguns meses antes da sua mudança definitiva para os Estados Unidos, Oliveira Lima prestou honras a uma notável mulher norte-rio-grandense, porquanto, naquele momento, reportou-se à vida de Nísia Floresta, (1810 – 1885), pioneira, no Brasil e também no mundo, nas ideias de promover a emancipação feminina por meio da educação. 

Daladier Pessoa Cunha Lima

Reitor do UNI-RN

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