Academia vs Academia - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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Academia vs Academia

Na sessão solene em que a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras homenageou a UFRN, pelos 60 anos da Instituição, tive a honra de integrar a mesa formada com esse intuito, ao lado de Diogenes da Cunha Lima, Cônego José Mário, Geraldo dos Santos Queiroz e Humberto Hermenegildo. No começo da minha fala, ressaltei a lembrança de que a Academia prestava honras à Academia, cada uma com funções distintas, mas ambas voltadas para a cultura, a ciência e as artes. E também lembrei que a palavra Academia remonta ao ano 387 a.C., quando Platão fundou a Academia Platônica em belo local ao derredor de Atenas, com amplo jardim de oliveiras, que pertencera a uma figura mitológica com o nome Academo. A Academia Platônica perdurou por séculos, mais foi extinta no ano de 529, a mando do imperador Justiniano. Conforme pensam alguns historiadores, a Academia de Platão, baseada na prática dialética, foi a inspiração primeva das futuras Academias, sob a visão lato sensu do termo.

Em seguida, abordei, de forma muito sucinta, a evolução das Universidades no tempo. Ao longo da história, a Universidade manteve a inspiração platônica, ou seja, manteve a ênfase intelectual, com o fim de atender às demandas pessoais pela busca de novos saberes. Essa ênfase intelectual perlustrou séculos, desde a Idade Média, a exemplo da mais antiga instituição acadêmica do mundo ocidental, a Universidade de Bolonha, criada no ano 1088. No entanto, existe um marco mais recente desse tipo de Universidade, que vem do século 19, com as ideias de John Henry Newman e Wilhelm von Humboldt, as quais formaram as bases para a criação da Universidade de Berlim, em 1810. Em ensaio sobre o assunto, o Professor Carlos Benedito Martins, da UnB, assim escreve: “Essa vertente defende a Universidade como espaço social e intelectual sui generis, no qual professores e estudantes cultivam de forma apaixonada o conhecimento e procuram preservá-la como substância a priori, ou seja, como, atividade voltada fundamentalmente para a produção do saber”. Com o passar do tempo, essa opção levou a Universidade alemã a ser vista como modelo de pesquisa acadêmica – “research universities”. Inglaterra e Japão, além de outros países, seguiram o modelo alemão.

Nos Estados Unidos, que possuem o maior número das melhores Universidades do planeta, o modelo alemão vigorou por muitos anos, mas, a partir de meados do século XX, houve mudanças na concepção das Universidades, as quais passaram a ter um escopo também utilitarista, no sentido de exercerem um papel no desenvolvimento dos países. Vários autores deram suporte a essas mudanças, com destaques para Clark Kerr, com seu famoso livro “Os Usos da Universidade”, e para Peter Drucker, com as também famosas obras “Landmarks of Tomorrow” e “Uma Era de Descontinuidade”. Ele criou a expressão “sociedade do conhecimento”, na qual o conhecimento seria fator essencial no processo de produção econômica.

No próximo texto, seguirei com o histórico das Universidades na América Latina e no Brasil, até chegar à UFRN. Concluo com a frase lapidar do notável Professor da Harvard Business School, C. Roland Christensen: “Não ensino apenas aquilo que sei, mas também aquilo que sou”.  

Daladier Pessoa Cunha Lima

Reitor do UNI-RN

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