A entrevista de Susan Gubar - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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A entrevista de Susan Gubar

Susan Gubar, escritora norte-americana, é professora emérita da Universidade de Indiana. Em 2009, Gubar, aos 65 anos, aposentou-se devido a um câncer avançado de ovário, e submeteu-se a uma cirurgia para remoção dos ovários, apêndice, útero, trompas e parte do intestino. Em 2012, ela escreveu o livro Memoir of a Debulked Woman – Memória de uma mulher estripada –, o qual foi listado entre os melhores do ano pelo New York Times. Além do tratamento tradicional para esse tipo de tumor, passou a receber terapia experimental, a partir de 2012, por meio do centro de estudos de câncer da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Susan Gubar foi palestrante no Forum “A jornada do paciente com câncer”, realizado pela Folha de S. Paulo, e concedeu entrevista ao jornal, cujo teor foi publicado na edição de 27 de abril de 2017.

A entrevista – a respeito da qual faço aqui rápidos comentários –, feita por Christiana Mariani, começa com uma pergunta voltada para o motivo que levou Gubar a escrever sobre sua experiência com a doença. Na resposta, revela que o seu diário escrito durante o tratamento tornou-se para ela uma tábua de salvação, até porque não confiava na memória, devido aos efeitos das muitas drogas usadas. Diz ainda que no diário podia extravasar seus temores, sem, contudo, alarmar a família e os amigos. De minha parte, que enfrentei longo tratamento de dois tipos diferentes de câncer – estou em fase de remissão e acompanhamento –, fico a pensar o quanto me teria sido útil a escrita de um diário, até como barreira ao estresse.  Aliás, vejo na escrita, sobre qualquer assunto, uma das melhores maneiras de nos proteger dos estresses do dia a dia.

Em certo ponto da entrevista, Gubar compara entre evitar a verdade ou ser aberto e sincero acerca da condição e da doença que a pessoa enfrenta. A escritora pensa que isso depende de cada um e das suas circunstâncias. A minha opção foi sempre a de expressar a verdade, como forma de manter-me alerta na busca de forças de superação, tenham elas origem próprias ou vindas de boas energias alheias. Além disso, os doentes e suas famílias precisam estar prontos para o pior, porém, sem nunca perderem o otimismo e a vontade de vencer. Não há dúvidas de que doenças graves, a exemplo de alguns cânceres, influem para mudanças na forma de ver a vida e o mundo. Sobre esse tema, a minha percepção em nada difere de Susan Gubar. Aviva-se na nossa mente a sensação de que somos mortais e passamos a cuidar melhor do corpo, da alma, das amizades e do bem-querer. A face espiritual se torna mais forte, e deixamos de lado tudo o que é tóxico para nós e para os outros. Próximo ao final da entrevista, Gubar cita a escritora Susan Sontag (1933-2004), para dizer que ela considerava ser inimaginável a ideia de extinção, e, por isso, muito sofreu com prolongado e inútil tratamento para a leucemia aguda que a fez sucumbir. E arremata: “Quando eu estiver diante de uma situação terminal, pretendo me submeter apenas a cuidados paliativos”. 

Hoje, o tratamento do câncer muito avançou, com grandes melhoras no prognóstico. Porém, sempre será preciso: a) seguir com rigor a prescrição médica; b) manter a altivez perante a ameaça da doença; c) aprofundar a fé em Deus, confiar nas próprias orações e receber, de forma integral – você percebe isso –, a força que lhe transmitem as preces de outrem em sua intenção.     

Daladier Pessoa Cunha Lima

Reitor do UNI-RN


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