A breve história de Angel - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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A breve história de Angel

Meu nome é Angel e hoje será um grande dia para mim, pois logo mais vou ganhar a liberdade, assim me prometeu meu benfeitor. Nasci cerca de dois meses atrás, e o meu nome inspira-se nas minhas asas e na minha ligação com Deus, modéstia à parte, apesar de não ser um santo, no rigor da palavra. A pessoa que me batizou, como não sabia qual era o meu sexo, procurou um nome unissex, e cogitou de me chamar Eloá, que decorre do hebraico e significa Deus. Mesmo eu sendo um pássaro, acho que ser chamado de Deus vai além do quanto mereço, e prefiro que o termo Angel sirva para me identificar. Nasci em Natal, no Brasil, portanto seria melhor anjo no lugar de Angel, porém sou um sabiá e minha espécie habita quase todo o planeta. Há quem diga que sabiá em tupi significa “aquele que reza muito”, e, segundo uma lenda indígena, ao ouvir o belo canto dessa ave, nas madrugadas, toda criança recebe bênçãos de paz, de amor e de felicidade. 

Por ser um anjo, volteio pelo céu e me situo em um espaço entre Deus e os homens. Alguém pode dizer que isto é uma presunção absurda. Mas é assim que me sinto e me vejo. Você já ouviu o canto do sabiá ao raiar do dia? Já viu meu ninho tão perfeito, meu saltitar pelo chão, meu corpo esbelto e meu voo certo de um a outro ponto? Devo dizer que pássaros já nascem com planos de voos seguros e naturais, sublimes e divinos, os quais independem de fatores vãos e falíveis. Mesmo sendo ainda um bebê, falo como um anjo, possuidor de sabenças natas e de virtudes que transcendem a vida física do meu corpo tão frágil.

A conversa já se alonga e devo explicar melhor quem eu sou. Nasci no conforto de belo e amplo ninho, preso em coluna de uma varanda, em uma casa meio colonial. Eu e meu irmão rompemos as cascas dos dois ovos que nos serviam de proteção, antes de nos tornar seres visíveis de carne e osso, mas ainda sem penas próprias dos pássaros e dos anjos. O ninho, tão bem feito, não ficava em lugar oculto e protegido dos algozes e predadores. Era preciso a atenção constante dos genitores e do meu benfeitor. Entre eles formou-se uma parceria, digo melhor, uma ligação de confiança, de afeto e de bem-querer, a qual veio a se tornar na salvação da minha vida. Antes de conseguir completa plumagem, capaz de garantir um voo seguro, um atroz predador tentou nos devorar, a mim e ao meu irmão, na calada da noite. Sob a proteção de dois valentes sabiás adultos, tentamos um voo heroico. Meu irmão caiu nas águas da piscina e logo morreu. Tive mais sorte e alcancei o chão de um arbusto, onde fui achado por meu benfeitor e protetor, logo ao nascer dos primeiros raios de sol, depois daquela madrugada de terror.

Fui levado para uma pequena gaiola, e cheguei a pensar que teria o mesmo destino de tantas outras aves, mundo afora, que sofrem as agruras da prisão, pela ação nefasta de algozes humanos. Prisões foram feitas não para pássaros ou anjos, e sim para aquelas pessoas que cometem delitos e maldades. No entanto, meu benfeitor, em aliança com minha mãe e com meu pai, nutriram-me nesses poucos dias de prisão e, agora, estou pronto para voar e ganhar as alturas. A família que me abrigou estará logo mais reunida – em especial as crianças –, para abrir uma pequena porta, sob aplausos, e me permitir o alcance do céu.  Assim seja. P.S.: E assim foi feito.

Daladier Pessoa Cunha Lima
Reitor do UNI-RN

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