A Última Ceia (3) - Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN
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A Última Ceia (3)


Podemos dizer que Leonardo da Vinci, mesmo com a genialidade que lhe era própria, cometeu um equívoco na escolha da técnica para pintar o mural A Última Ceia? Em vez de optar por uma parede revestida de gesso úmido, usadas nos afrescos, ele preferiu pintar direto sobre o gesso seco. Não deu certo, pois, 20 anos após a conclusão, a pintura começou a descascar, e, 50 anos depois, pouco se via da grande obra no refeitório do mosteiro de Santa Maria delle Grazie, em Milão.  Várias restaurações se fizeram ao longo dos anos, com menores e maiores êxitos. Esse mural, uma das principais obras de arte da humanidade, também sofreu com a fúria e a loucura do próprio homem, a exemplo da agressão feita pelas forças armadas francesas, no século 18, e o bombardeio do refeitório, em 1943, com destruição total do teto, durante a Segunda Guerra Mundial. A mais eficaz restauração durou 21 anos, concluída em 1999. Em 2019, a fim de celebrar os 500 anos da morte de Leonardo da Vinci, a empresa italiana Eataly patrocinou uma reforma no ar-condicionado do recinto, no intuito de prolongar a vida útil da famosa pintura.

Conhecido por postergar e demorar em seus trabalhos de arte, bem como por não se adaptar à técnica do afresco, Leonardo da Vinci ficou ausente do grupo de artistas que Lourenzo de Medici (1449-1492), estadista florentino, grande propulsor dos avanços renascentistas, escolheu para pintar as paredes da Capela Sistina, em Roma, no verão de 1481. Leonardo da Vinci, com três décadas de vida, mudou-se com “armas e bagagens” de Florença para Milão, onde ficou por 17 anos. Logo ao chegar, enviou carta ao Duque Ludovico Sforza, oferecendo os seus serviços nos campos da engenharia, das armas e das artes. Ele também queria atender ao sonho do Duque de Milão e criar  uma enorme estátua equestre de bronze, em honras ao pai de Ludovico.  A ideia do cavalo não vingou, mas a obra A Última Ceia transformou-se em uma das suas perenes glórias.

O uso de sombras na pintura foi um dos requintes do artista Leonardo da Vinci.  Escreveu muito sobre esse assunto, construiu gráficos e diagramas, fato que muito ajudou artistas do seu tempo e posteriores.  O jogo dos tons das cores, de claridade, de sombra, de pouca ou maior nitidez dos contornos das imagens, e de outros detalhes, conferem ao espectador a sensação de profundidade e de movimento nas obras geniais de L. da Vinci.

No epílogo do livro Leonardo and The Last Supper, do escritor inglês Ross King, consta que A Última Ceia é a obra que mais concorreu para o prestígio de Leonardo da Vinci como um dos melhores artistas de todos os tempos. O autor diz que outras obras de Leonardo, inclusive a Mona Lisa, só se tornaram públicas e famosas alguns séculos após a morte do artista. Sem uma plausível explicação, a Mona Lisa foi vendida por Salai, amigo – parceiro sexual? – de Leonardo e que com ele morou por anos. Essa obra-prima ficou por muito tempo em local privado, na França, inclusive no quarto de dormir de Napoleão, e, somente no final do século 18, a Mona Lisa, passou ao acervo do Louvre. Por outro lado, o sublime mural de Leonardo da Vinci, A Última Ceia, outra obra-prima, ficou exposta à apreciação pública desde a sua criação, motivo pelo qual se destacou na difusão da fama do artista como um dos maiores gênios da humanidade. 

Daladier Pessoa Cunha Lima 

Reitor do UNI-RN 

Publicado na edição do dia 06/02/2020 do jornal Tribuna do Norte 

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